terça-feira, 15 de junho de 2010

Alimentação em Pacientes com Mal de Alzheimer


Algumas alterações nutricionais são características em pacientes com Mal de Alzheimer e podem levar à perda de peso e à caquexia (desnutrição aguda com perda de peso e de massa muscular, fraqueza e fadiga muscular). Por isso é importante alguns cuidados com a alimentação de pessoas com Mal de Alzheimer, já que a desnutrição é um quadro que pode ocasionar várias complicações, como: úlceras de decúbito (feridas devido à permanência em uma mesma posição por períodos prolongados, também denominadas escaras de decúbito), infecções, redução da imunidade, fraqueza muscular e quedas, anemia, redução da capacidade de metabolização de medicamentos, diminuição da massa óssea, da função respiratória e renal, com consequente aumento no risco de hospitalização e de óbito. Inicialmente é importante consultar um nutricionista para avaliação nutricional detalhada, na dependência do estágio de desenvolvimento da doença. É interessante um registro diário das refeições, que devem ser balanceadas, rica em fibras (para evitar problemas intestinais como a constipação, ou prisão de ventre) e vitaminas. A dieta deve ser fracionada, e a sugestão mais comum é a utilização de 6 refeições ao dia. É importante ter atenção à necessidades dietéticas especiais, como no caso de pacientes diabéticos, com disfunções renais ou hipertensão, e nestes casos é sempre fundamental o acompanhamento médico e nutricional. Também deve-se considerar a possibilidade de suplementação da dieta, caso seja observada perda de peso, ou ingestão inadequada de nutrientes. Uma dieta ideal, principalmente nas fases iniciais da doença, deve conter grande variedade de alimentos, evitando excessos de gorduras, colesterol, sal e açúcares. Com a progressão do Alzheimer alguns pacientes perdem o apetite, enquanto outros apresentam uma tendência a ingestão compulsiva de alimentos. É comum observar, a partir de um estágio intermediário da doença, que os pacientes começam a brincar com a comida e se esquecem de comer; ou ainda, não lembram de ter comido ao término das refeições. Nestes casos é sempre importante a presença de um familiar ou cuidador ao lado do paciente no momento das refeições. Uma dica útil e deixar o mínimo de coisas à mesa durante as refeições, para evitar que o paciente se distraia, e buscar utilizar alimentos de diferentes cores, que chamem a atenção da pessoa com Mal de Alzheimer para a comida. Utilizar pratos fundos, louças inquebráveis (de plástico, por exemplo), copos com canudos e tampas, e colheres com cabos grossos e com cabos em ângulo, também facilita a refeição, já que nos estágios intermediários do Alzheimer os pacientes começam a apresentar dificuldades de coordenação dos movimentos e para manipular objetos, com movimentos menos precisos e mais lentos, além de dificuldade para manutenção da postura, o que traz dificuldades para levar a comida à boca. Nesta fase há perda de apetite, alterações no paladar e no olfato, e o paciente com Alzheimer começa a apresentar dificuldades de mastigação e deglutição. É comum o paciente se sujar durante as refeições, espalhar comida na mesa, se engasgar (e até mesmo vomitar), cospir a comida e se alimentar com as mãos. Há também alterações na sensação de sede, e os pacientes se esquecem de beber água ou solicitar aos seus cuidadores, o que pode levar à desidratação. Por isso é importante ter atenção para oferecer cerca de 8 copos de 200 ml de água por dia - a não ser que haja restrição do médico ou nutricionista a este respeito. Neste momento deve-se procurar orientação com um dentista e com um fonoaudiólogo, para avaliação da mastigação e deglutição. É importante não se esquecer dos cuidados com a higiene oral. Com a progressão do Alzheimer há alteração e perda da capacidade de deglutição, e para evitar desnutrição e caquexia, em certo momento, quando a capacidade de deglutição está muito reduzida, é indicado o uso de sondas para alimentação. Nestes casos, podem ser utilizadas dietas preparadas de forma caseira, e para isso devem ser balanceadas e propostas por orientação de um nutricionista, ou ainda, dietas industrializadas, denominadas dietas enterais, ou dietas gastroenterais. Segundo orientação médica e nutricional, os seguintes tipos de sondas podem ser utilizadas:

  • sonda nasogástrica: sonda colocada através do nariz e que vai até o estômago
  • sonda nasoenteral: sonda colocada através do nariz e que vai até o intestino delgado
  • gastrostomia: sonda colocada diretamente no estômago, ficando com uma extremidade de acesso através do abdómen
  • jenunoestomia: sonda colocada diretamente no intestino delgado (jejuno), ficando com uma extremidade de acesso através do abdómen


Há vários tipos de dietas enterais (ou gastroenterais disponíveis). É possível obter maiores infomações a respeito acessando www.alzheimernet.com.br.

Em outros posts vamos falar mais a respeito de aspectos nutricionais e alimentação para pacientes com Mal de Alzheimer, com dicas mais específicas para cada caso.


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